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Prêmio Manuel Diégues Jr 2011

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RESULTADO DO PRÊMIO MANUEL DIÉGUES JÚNIOR 2011

Instituído pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular em 1997, e sempre realizado no âmbito da Mostra Internacional do Filme Etnográfico, com o objetivo de estimular a produção de vídeos e filmes documentários sobre o universo das culturas populares, o Prêmio Manuel Diégues Júnior contempla três categorias: importância do tema para a área, desenvolvimento da pesquisa/roteiro e concepção e realização.

Os premiados de 2011 foram escolhidos por júri composto por:
Jorge Melo – diretor e roteirista, editor executivo do programa Sala de Notícias da TV Futura;
Marisa Coelho – coordenadora da Biblioteca Amadeu Amaral do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular/IPHAN;
Roberto Marques – professor assistente da Faculdade de Educação da UFRJ.

A estatueta oferecida aos premiados, esculpida pelo artista Valdeli Costa Alves, é uma representação do “girandeiro”, ou “homem do brinquedo”, que, no Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém do Pará, sai, girândula em punho, para vender os brinquedos de miriti que criam na cidade de Abaetetuba.

O júri premiou, entre os filmes/vídeos apresentados durante a Mostra, segundo as categorias previstas:

Importância do tema para a área:
- Cantador de Chula, de Marcelo Rabelo
Chula é o canto principal em modalidades do samba no interior da Bahia, presente somente na memória oral dos mais velhos. O filme caminha pelo recôncavo e agreste baiano, onde podemos ouvir algumas chulas e outras cantigas tradicionais de herança africana.



Desenvolvimento da pesquisa/roteiro

- Procurando Madalena, de Ricardo Salles
Investigação bem humorada da origem da toada “Madalena”.


Concepção e realização

- Hoje tem alegria, de Fábio Meira
O cotidiano de três pequenos circos do Norte e Nordeste do Brasil. Longe dos grandes centros urbanos, estes circos lutam com grandes privações econômicas para manter-se ativos e também cativar o público. Três personagens guiam a narrativa: os pernambucanos Índia Morena e o mágico Alakasan, e o amapaense Ruy Raiol, artistas que lutam para manter a tradição do espetáculo, transmitindo seus saberes às novas gerações.


O júri concedeu ainda três menções honrosas:

- Luz, câmara, pichação, de Bruno Caetano, Gustavo Coelho e Marcelo Guerra, pela coragem e tratamento respeitoso sobre o tema complexo da pichação e seus personagens.
Documentário sobre a pouco compreendida cultura da pichação no Rio de Janeiro. O filme conta com a presença apenas de pichadores, e pergunta sobre suas histórias nunca narradas, seus riscos, medos, paixões e grafias. Com cenas de tirar o fôlego, o longa mergulha neste submundo, fazendo o espectador vivenciar aventuras e sentir as adrenalinas comuns desta cultura que toma a cidade enquanto a maioria dorme.

- Dona Joventina, de Clarisse Kubrusly e Milena Sá, por levantar a discussão sobre a questão do direito de propriedade do patrimônio das comunidades tradicionais.
A escultura de madeira escura ficou durante 30 anos (1965-1996) sob a posse da pesquisadora Katarina Real, antes de ser doada ao acervo do Museu do Homem do Nordeste em Recife, PE. Hoje existem duas nações de maracatu que se denominam Estrela Brilhante e que de formas distintas reivindicam a posse e a retirada da boneca do museu. O filme acompanha a primeira visita de ambos os maracatus a esse museu em 2010. Seguindo o rastro das calungas do baque virado, mostra diversas bonecas de maracatu em seus diferentes contextos e possibilidades.

- Oi'ó – A luta dos meninos, de Caimi Waiassé, por revelar a complexidade da formação de valores dos homens da etnia xavante a partir de um rito de passagem.
O documentário registra uma das mais importantes cerimônias dos Xavante. Os garotos são divididos em grupos e de acordo com a idade e o porte físico, e o enfrentamento se dá entre representantes de clãs diferentes. Não há vencedores. Por sua maneira de lutar, cada um mostra o bom guerreiro e caçador que vai ser. A finalidade é que os meninos aprendam a seguir regras, a resistir à dor e a superar o medo.